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OBUDO HOZUKI, de Chihiro Ito

Inauguração dia 16 de Fevereiro às 16h
O CAAA apresenta, como já é habitual, uma exposição das telas de Chihiro Ito na fachada do edifício. Este trabalho mais recente de Ito, foi desenvolvido durante os últimos meses, na sua residência artística em Nova Iorque.

Os corpos e as suas micropolíticas em exposição no CAAA

Inauguração dia 11 de Janeiro 2019, 21h30 / até 16 de Março 2019

Tão Só o Fim do Mundo, de Paulo Aureliano da Mata

Cinco Tácticas de Ativação, de Tales Frey

Tão Só o Fim do Mundo e Cinco Tácticas de Ativação compilam mais de 20 obras que pretendem questionar o lugar das ditas minorias numa economia excessivamente centrada no capital e na normatividade. A par das exposições, o programa inclui ainda a exibição dos filmes O Processo, de Maria Augusta Ramos, que olha por dentro, o processo de impeachment de Dilma Rousseff, La Féerie des Ballets Fantastiques de Loïe Fuller, de Georges R. Busby, A Gis, de Thiago Carvalhaes, que mostra um retrato delicado de Gisberta Salce, e Tão Só o Fim do Mundo, de Xavier Dolan. Também será exibido o clipe musical censurado Primavera Fascista, do Setor Proibido.

Como uma maneira nítida de evocar a noção de que “a questão política é uma questão estética e, reciprocamente, a questão estética é uma questão política”, em uma sala do CAAA, o artista brasileiro Paulo Aureliano da Mata apresentará treze obras em sua mais recente exposição individual Tão Só o Fim do Mundo, cujo título é inspirado na obra de Jean-Luc Lagarce e por meio da qual Paulo Aureliano da Mata traz conteúdos autobiográficos com um desejo profundo de comunicar algumas injustiças sociais, como é o caso da transexual brasileira Gisberta Salce – brutalmente assassinada em 2006 no Porto – e o avanço de um sistema opressor, como a releitura de uma de suas obras, contextualizando-a com a atual discussão sobre a Escola sem Partido no Brasil, ou vulgarmente Lei da Mordaça, enquanto em outra sala da mesma instituição, o artista brasileiro Tales Frey realizará a exposição Cinco Táticas de Ativação, composta por obras sensoriais que colocam os corpos dos visitantes em convívio, trazendo à tona um problema basilar do pensamento político que consiste em propor garantias de vivências harmoniosas numa unidade comum, considerando as variadas singularidades, as dessemelhantes subjectividades.

 

Tão Só o Fim do Mundo, de Paulo Aureliano da Mata

A partir da peça teatral “Tão Só o Fim do Mundo”, de Jean-Luc Lagarce, a exposição homônima sintetiza a trajetória do artista luso-brasileiro Paulo Aureliano da Mata em sua investigação teórico-prática acerca de procedimentos artísticos em que mescla sua autobiografia com outras histórias reais e ficcionais, reunindo elementos da literatura, da cultura contemporânea e de mitologias de civilizações diversas. Através de uma colagem expositiva de treze “experimentações” concebidas entre 2013 e 2019, e com o propósito de falar da temporalidade, da finitude e da memória, a palavra é vista roubando o protagonismo da imagem, ou a imagem apenas acompanha a palavra, revelando, assim, o sintoma de um profundo desejo de comunicar com o(a) espectador(a), cuja leitura ativada dessa palavra torna-se uma espécie de “encenação” em que deságuamos afetos que vêm povoar o espaço onde os corpos presentes se encontram.

Programa paralelo da exposição Tão Só o Fim do mundo, de Paulo Aureliano da Mata  

12 de Janeiro 17h

Exibição: Primavera Fascista (2018), de Setor Proibido;

Exibição: O Processo (2018), de Maria Augusta Ramos.

19 de janeiro de 2019 16h

Conversa: Livro da Mata sou eu, por mim mesmo!, com Paulo Aureliano da Mata;

Exibição: La Féerie des Ballets Fantastiques de Loïe Fuller (1934), de Georges R. Busby;

Exibição: A Gis, de Thiago Carvalhaes;

Exibição: Tão Só no Fim o Mundo (2016), de Xavier Dolan.

 

Cinco Táticas de Ativação, de Tales Frey  

A partir da intersecção entre a performance ao vivo, o vídeo, a fotografia, o objeto relacional e a instrução, as obras expostas não apenas admitem a interação da audiência como ganham melhor sentido quando são ativadas por ela. Através do uso de adereços, indumentos ou objetos específicos, os quais são capazes de proporcionar formas esculturais sobre ou por meio do suporte humano, quando vestidos/calçados, os participantes são estimulados ao movimento, reunindo conceitos das artes visuais e cênicas de uma só vez, mesclando escultura e dança na comunhão de corpos e artefatos.

Programa paralelo da exposição Cinco Táticas de Ativação, de Tales Frey  

2 de Março 17h

Conversa: Um Fundo Estético Comum, com Tales Frey.

 

 

Sobre os artistas: 

Paulo Aureliano da Mata e Tales Frey casaram-se em uma performance intitulada por “Aliança” em 2013, quando a união estável entre pessoas de mesmo sexo ou da mesma identidade de género foi reconhecida no Brasil, cuja lei passou a facilitar a conversão em casamento igualitário. Há pouco mais de uma década, ambos têm criado trabalhos que discutem género e sexualidade e utilizam seus corpos como suportes e veículos para produzirem arte, considerando as micropolíticas existentes neles. Juntos, mantém a Cia. Excessos e revista online Performatus, por meio da qual realizam uma série de eventos focados na expressão artística da performance e body art.

PAULO AURELIANO DA MATA (Inhumas, GO, Brasil. 1987) vive e trabalha entre Portugal e Brasil. É artista, curador independente e historiador da arte da performance, membro fundador da Cia. Excessos e da eRevista Performatus, e organizador e diretor da Mostra Performatus. Atualmente, é mestrando em Artes Plásticas com percurso em Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto em Portugal. Também, nessa mesma faculdade, fez uma especialização em Práticas Artísticas Contemporâneas e, na Faculdade de Letras dessa mesma universidade, licenciou-se em História da Arte.

Como artista, participou das coletivas nacionais e internacionais: Enredos para um Corpo (Centro Cultural da Justiça Federal, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2018); O Teu Corpo é Luta (Arte Londrina 5, Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina, Londrina, PR, Brasil, 2017); XVIII Bienal Internacional de Arte de Cerveira: “Olhar o passado para construir o futuro” (Vila Nova de Cerveira, Portugal, 2015); Maria de Todos Nós: 50 anos de Maria Bethânia (Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2015); Múltiplas Perspectivas e não menos Contradições e Sonhos (I Bienal da Maia: Lugares de Viagem, Maia, Portugal, 2015); (Tra)vestir um Fa(c)to (Espaço MIRA, Porto, Portugal, 2015); Vitrine de Projetos: Ensaios sobre a Fronteira (Fundação Memorial da América Latina, São Paulo, SP, Brasil, 2014); Dzień Światła 2012 (Galeria Otwarta, Wrocław, Polónia, 2012); entre outras.

Em 2018, suas obras Eu Gisberta e El Minotauro #3 integraram permanentemente o acervo do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (Niterói, RJ, Brasil). Já em 2014, sua obra As Veias Ainda Abertas da América Latina integrou permanentemente o acervo da Fundação Memorial da América Latina (São Paulo, SP, Brasil) e, também nesse ano, com a obra El Minotauro #2, ganhou em terceiro lugar dentro da categoria PHOTOGRAPHY no 2014 EMERGING EROTIC ARTIST CONTEST da Tom of Finland Foundation (Los Angeles, Estados Unidos).

Participou das residências artísticas do Fjúk Arts Centre (Húsavík, Islândia, 2015/16) e da Casa do Sol – Instituto Hilda Hilst (Campinas, SP, Brasil, 2014).

TALES FREY (1982) vive e trabalha entre o Brasil e Portugal. Artista transdisciplinar, realiza obras amparadas tanto pelas artes visuais como cênicas. Atualmente, integra o programa de pós-doutorado do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, instituição para a qual foi convidado para integrar como Investigador Sênior no Grupo de Investigação em Estudos Performativos (GIEP).

Em 2016, concluiu um doutorado em Estudos Teatrais e Performativos pela Universidade de Coimbra, onde desenvolveu a tese-projeto (Practice-led ResearchPerformance e Ritualização: Moda e Religiosidade em Registros Corporais. Fez Mestrado em Estudos Artísticos com especialização em Teoria e Crítica da Arte pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e uma especialização em Práticas Artísticas Contemporâneas pela mesma instituição. Tem graduação em Artes Cênicas com habilitação em Direção Teatral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição onde manteve vínculo para cursar Indumentária pela Escola de Belas Artes.

Alguns de seus trabalhos integram permanentemente acervos públicos e privados, dentre eles, o do Museu Serralves e o do Museu Bienal de Cerveira em Portugal; o do Instituto Municipal de Arte y Cultura de Puebla no México; o da Pinacoteca João Nasser, o do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC Niterói) e o do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) no Brasil.

Recebeu o Prémio Aquisição Câmara de Vila Nova de Cerveira na XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira em 2017; Menção Honrosa na II Bienal Internacional de Arte Gaia em 2017; prêmio de Artista Revelação no Salão Contemporâneo do 18º Salão de Artes Plásticas de Catanduva em 2014; prêmio de melhor figurinista no Aldeia FIT 2006 em São José do Rio Preto. Em 2018, foi contemplado pelo Apoio à Internacionalização em Dança pela Fundação Calouste Gulbenkian para apresentar a performance Be (on) you no The Performance Arcade 2019 em Wellington na Nova Zelândia.

Apresentou trabalhos artísticos na Alemanha, na Argentina, no Brasil, na Bélgica, no Canadá, na China, em Cuba, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Islândia, na França, na Malásia, no México, na Nova Zelândia, na Polônia, no Peru, em Portugal, na Sérvia, na Suécia e na Tailândia.