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Entre a Tensão e o Delírio, Exposição de Tales Frey

Entre a Tensão e o Delírio

Exposição de Tales Frey

Inauguração 9 de Janeiro 15h | até 20 de Fevereiro

Curadoria e texto de Estefânia Tumenas

 Nesta exposição, há uma abstração dos corpos, que aparecem ora em estados híbridos ora transformados em linguagens gráficas, consistindo em quase ideogramas subversivos, suscitando uma espécie de alfabeto e linguagem que escapam da insistente base falologocêntrica da nossa cultura e, ao mesmo tempo, confirmam criticamente os seus signos compostos como abecedários diferentes dos hegemônicos.

“Entre a Tensão e o Delírio” reflete como os corpos são moldados a partir de uma comunicação fundamentada em símbolos, os quais são massivamente difundidos, desde a aprendizagem fundamental até a comunicação publicitária, onde códigos são transformados em corpos padronizados de acordo com um status quo vigorante.

 

Tales Frey (Catanduva-SP, 1982) é artista transdisciplinar representado pela Galeria Verve de São Paulo. Vive e trabalha entre o Brasil e Portugal. Realiza obras amparadas tanto pelas artes visuais como cênicas, situadas no cruzamento entre a performance, o vídeo, a fotografia, o objeto, o adorno/indumento e a instrução. O corpo e a performatividade são motes de especulação tanto nas suas criações práticas como nas suas pesquisas acadêmicas. Tem graduação em Artes Cênicas – Direção Teatral pela UFRJ, mestrado em Teoria e Crítica da Arte pela Universidade do Porto, doutorado em Estudos Teatrais e Performativos pela Universidade de Coimbra e cursa pós-doutorado em Artes pela Universidade do Minho, sendo convidado para integrar o Grupo de Investigação em Estudos Artísticos como pesquisador sênior nesta última instituição. Tem apresentado seus trabalhos em diversos eventos e instituições nacionais e internacionais. Dentre eles: SESC no Brasil, The Kitchen e Sattelite Art Show em Nova York, Musée des Abattoirs em Toulouse na França, MACRO – Museo d’Arte Contemporanea di Roma, Centro Municipal de Arte Helio Oiticica no Rio de Janeiro, BienalSur em Buenos Aires, Akureyri Art Museum na Islândia, TSB Bank Wallace Arts Centre em Auckland na Nova Zelândia, Galeria Labirynt na Polônia, Defibrillator Gallery em Chicago, Galleria Moitre em Turim, Kuala Lumpur 7th Triennial – Barricade na Malásia, The Biennial 6th Bangkok Experimental Film Festival na Tailândia, entre outros.

Alguns de seus trabalhos integram permanentemente acervos públicos e privados, dentre eles: Museu Serralves e Museu Bienal de Cerveira em Portugal, MUNTREF em Buenos Aires, Pinacoteca João Nasser, MAC Niterói, MAM RJ e MAC USP no Brasil.

 

Estefânia Tumenas é curadora independente, produtora cultural e trabalha como orientadora educacional no âmbito público em Santa Catarina no Brasil. Atualmente, Estefania estuda Culture and Change – Critical Studies in the Humanities, programa de mestrado oferecido pela Universidade de Malmö. Possui graduação em Letras – Português e Inglês e respectivas literaturas pela Universidade do Vale do Itajaí e mestrado em educação pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Estudou música no conservatório Som e Arte e fez parte de um grupo de teatro amador durante a graduação. Trabalhou como professora de língua inglesa e literatura brasileira na educação básica, e ministrou a disciplina de comunicação intercultural, no módulo internacional na Universidade do Vale do Itajaí. Participou de alguns trabalhos voltados à cultura indígena, etnia Guaraní M´bya que vive na cidade de Biguaçú-SC, focando nas práticas antropológicas e produções artístico culturais. Desenvolveu projeto escolar na área de gênero e sexualidade (projeto secretamente intitulado SEXta pode, já que alguns encontros eram às sextas-feiras), com o objetivo de dialogar com os adolescentes assuntos sobre seus cotidianos, dúvidas, esclarecimentos de maneira saudável e livre de taboos.

 

Programa Paralelo da Exposição Entre a Tensão e o Delírio

Conversa

16 de janeiro de 2021, às 16h | Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura

Corpo Despedaçado, conversa entre Tales Frey e Estefânea Tumenas, 60’, classificação livre.

Sinopse: A curadora Estefânea Tumenas conversa com o artista transdisciplinar Tales Frey a respeito de sua prática, que transita entre as artes cênicas e visuais.

(Independentemente de haver a possibilidade de a atividade presencial ocorrer, haverá transmissão online com link anunciado na página do CAAA)

 

Mostra de vídeos

16 de janeiro de 2021, às 17h | Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura

Através dos Afetos. Mostra de vídeos, 90’, classificação 16 anos.

Esta sessão de vídeos inéditos agrega trabalhos realizados por onze artistas do Brasil que exploram a linguagem do vídeo em comunhão com a performance, considerando as temáticas do corpo, das identidades e das subjetivações. Todos os trabalhos foram criados através do curso online “Laboratório de Pesquisa e Criação em Videoperformance”. Artistas: Alexandre Marchesini, Chris Oliveira, Danilo Reis, Kaete Terra, Mauricio Igor, Helena Marc, Karla Samatha, Leo Bardo, Ronan Gonçalves, Soul Nascimento, Vitor Barbara e Yohana Oizumi.

(Independentemente de haver a possibilidade de a atividade presencial ocorrer, haverá transmissão online com link anunciado na página do CAAA).

Princesinha do Cerrado, Exposição de Hilda de Paulo

Princesinha do Cerrado

Exposição de Hilda de Paulo

Inauguração 9 de Janeiro 15h | até 20 de Fevereiro

Curadoria de Suzana Queiroga

Texto de Gabriela de Laurentiis

 

Frequentemente chamada de “Princesinha do Cerrado” nos anos de 1930, Inhumas-GO/Brasil é a cidade onde a artista transdisciplinar Hilda de Paulo nasceu e viveu até a sua adolescência e, nesta exposição, repleta de confissões que sublinham o caráter autobiográfico do conjunto de obras, a artista retoma um projeto não-concluído de autoficção para abordar a sua transexualidade e o modo como as sociedades lidam com os corpos dissidentes.

Nas suas livres investigações de cores em pinturas que aparecem tanto em suportes convencionais como de modo expandido, há referências a elementos da natureza apontando forças cósmicas, indicando a existência humana como uma pequena forma de vida num universo tão maior, justamente para enfatizar a interdependência entre tudo que há ao nosso redor.

 

Hilda de Paulo (Inhumas-GO, Brasil, 1987) vive e trabalha entre Portugal e Brasil. É artista, travesty e curadora independente, membra fundadora da Cia. Excessos e da eRevista Performatus, e organizadora e diretora da Mostra Performatus. Fez especialização em Artes Plásticas com percurso em Escultura e em Práticas Artísticas Contemporâneas, ambas na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto em Portugal, e, na Faculdade de Letras dessa mesma universidade, licenciou-se em História da Arte. Tem integrado exposições coletivas nacionais e internacionais, e algumas de suas obras integram permanentemente o acervo de alguns museus, como o do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro-RJ, Brasil), o do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (Niterói-RJ, Brasil) e o da Fundação Memorial da América Latina (São Paulo-SP, Brasil). Participou das seguintes residências artísticas: Programa de Residências Despina (Rio de Janeiro-RJ, Brasil, 2019); Fjúk Arts Centre (Húsavík, Islândia, 2015-16); e Casa do Sol – Instituto Hilda Hilst (Campinas-SP, Brasil, 2014).

 

Suzana Queiroga vive e trabalha entre Lisboa e Rio de Janeiro. Atuante desde os anos de 1980, a artista trabalha com uma grande variedade de meios, incluindo vídeos, performances, instalações, infláveis, pinturas, desenhos e esculturas. Suas poéticas atravessam as questões do fluxo, do tempo e do infinito. Em suas obras de grandes dimensões, a experiência de expansão dos sentidos pode gerar espaços de imersão coletiva. Sua obra tem sido apresentada internacionalmente e obteve vários prêmios, no Brasil e em Portugal.

 

Gabriela De Laurentiis (1987) é artista visual e pesquisadora é autora do livro “Louise Bourgeois e Modos Feministas de Criar”. É graduada em Ciências Sociais na PUC-SP e mestra pelo Departamento de História Cultural na UNICAMP. Atualmente é Doutoranda no Programa de Pós-Graduação da FAU-USP, com uma pesquisa sobre Anna Bella Geiger.

 

Programa Paralelo da Exposição Princesinha do Cerrado

Exibição de Filme

6 de fevereiro de 2021, às 16h | Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura

Maria Luiza, Marcelo Díaz | Brasil, 2019, Doc., 80’, M/16

Sinopse: Maria Luiza da Silva é a primeira militar reconhecida como transexual na história das Forças Armadas brasileiras. Após 22 anos de trabalho como militar, foi aposentada por invalidez. O filme investiga as motivações para impedi-la de vestir a farda feminina e a sua trajetória de afirmação como mulher trans.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=5At-PEGjnhI