arquivo 2019 – abr/mai/jun

12.06 | Maria Reis, Gabriel Ferrandini, André Cepeda | Concerto+Filmes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

12 Junho 21h30

A noite começa com a projecção das curtas metragens “Cabeça d’Asno” de Pedro Bastos e “Pixel Frio” de Rodrigo Areias, seguida do Concerto Maria Reis, Gabriel Ferrandini, André Cepeda, aos quais se junta o Coro Vilancico para um espectáculo inédito e insólito – uma colaboração entre a música improvisada e o canto medieval.

 

Maria Reis, Gabriel Ferrandini, André Cepeda

De fora e sem grande contexto a união destas três figuras podia parecer meio inusitada, mas com conhecimento de causa sabe-se que paira aqui um enorme respeito mútuo e amizade a consolidar esta parceria triangular. Nascida na performance – até agora – única no Blues Photography Studio de André Cepeda em Novembro do ano passado, uniu a voz de Maria Reis à bateria, percussão e amplificação de Gabriel Ferrandini e ao apurado sentido cénico de Cepeda, no uso do fumo, da projecção e da fotografia. Momento iluminado de liturgia que arranca agora uma nova editora com o nome de Trás-os-Montes Records capitaneada por Elisa Cepeda, e que é mostra possível desse acontecimento especial – quem não esteve tem no disco aqui um falso recuerdo obrigatório – e se “repete” agora. Outra forma certamente. ‘Live Performance, 2018’ ao início manda aquele peso solene da invocação que associamos ao paganismo, mas trata-se afinal de uma ideia de música de devoção transversal a pontos geográficos que tanto podem ser os cantares transmontanos – como ‘Li-La-Ré’ ou ‘Viste Lá o Meu Amado (Paixão)’ captados por Giacometti e Lopes Graça – como a história do gospel ao doo-wop ao r&b/soul ou ao butoh e demais cartografias ancestrais e eternas. A voz numa aura de suspensão etérea em jeito de procissão pausada, gravitando em torno das acentuações rítmicas e tímbricas dos tambores e do processamento discreto de Ferrandini, tudo muito sóbrio, com tempo para acontecer e respirar. Sem entrar por clamores ou pseudo-bruxarias, a focar o essencial. Música séria e muito bonita. Aqui da terra. BS

 

 

Sobre os filmes:

 

 

 

 

CABEÇA D’ASNO

Portugal, 2016, EXP, DCP, Cor/P&B, 12′

Realizador: Pedro Bastos

Cabeça D’Asno é um filme experimental que parte de duas questões: Como surge a primeira imagem na nossa cabeça e, quando uma imagem perde o seu significado original e se transforma numa outra coisa.

 

 

 

 

 

PIXEL FRIO

Portugal, 2018, FIC, DCP, Cor, 15′

Realizador: Rodrigo Areias

Eles gerem um espaço cultural.
Ele acredita na evolução tecnológica.
Ela acredita que o amor é estático.
Uma última exposição e um último espetáculo.

 

Entrada 3€

PALINOPSIA, concerto de piano por Koki Nakano

 

 

 

 

 

 

 

 

1 de Junho, 17h30

No âmbito da exposição “Trees Outside the Academy #3” o pianista japonês Koki Nakano apresenta o seu trabalho mais recente para piano acompanhado de imagens filmadas por Susana Abreu.

“Nas minhas recentes músicas, o público irá a assistir a um florescimento acelerado que representa poesias do mundo, onde é transfigurado o nosso habitual sentido do tempo e da gravidade.”

Koki Nakano Website

Entrada 3€

Que Silêncio? Recital de piano por Joana Gama

18 de Maio, 19h

Recital de piano, por Joana Gama
Conversa com Fernando José Pereira e Joana Gama

Neste concerto, a pianista Joana Gama apresenta obras de Morton Feldman, John Cage e Erik Satie. Obras muito distintas que exploram a reverberação do espaço de uma forma muito peculiar.
A obras Ogives de Erik Satie é do final do século XIX. É inspirada nas ogivas que Erik Satie gostava de apreciar na Catedral de Notre Dame em Paris. É uma obras que explora os contraste entre sonoridades muito fortes e muito piano, texturas densas e suaves. John Cage foi um grande admirador de Satie, foi um acérrimo defensor e difusor da sua música. A sua obra 4’33”, a peça composta por silêncio, convida à contemplação do som e do próprio espaço. Por último, a monumental obra “Palais de Mari” de Morton Feldman, um compositor em cuja a monumentalidade se verifica no impacto que a obra tem no público – não pela velocidade ou volume sonoro, mas pela delicadeza e subtileza de cada gesto musical. Nesta obra há muito espaço entre as notas, ouvem-se ressonâncias e reflecte-se em cada som.
John Cage dizia: não se trata de saber se Satie é importante: ele é indispensável. Tanto Cage como Feldman admiravam a música e o cariz visionário de Satie. Esta é uma oportunidade de colocar as obras destes três compositores em contacto.