programação /exposições

De Natureza (A)Diversa, de Analice Campos

Pintura#28, 2016, óleo, carvão e tinta sintética sobre tela, 46 x 55 cm

Inauguração 25 Fevereiro, 16h / até 22 de Abril

O projeto De Natureza (A)Diversa equaciona o lugar da paisagem, um dos antigos géneros da história da pintura, no contexto da produção artística contemporânea, nomeadamente no âmbito da pintura e do desenho. A recorrência à história da pintura, por intermédio da paisagem, não propriamente como reativação de um género ou como um posicionamento revivalista, serve apenas como ponto de partida para uma estratégia que pretende explorar as possibilidades de criação de imagens como simulacros da pintura tradicional de paisagem. Desenvolvem-se, assim, pinturas/desenhos com um caráter fragmentado e sem continuidade interna, que têm como referente imagens memorizadas e são o resultado de uma construção em que há uma clara consciência da potencialidade das ações/gestos, e do imprevisto, na construção/desconstrução da imagem de paisagem.

Analice Campos (Rio de Janeiro, 1973)

Mestre em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com formação em Desenho pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, Licenciatura em Comunicação Social pela Universidade do Minho e 1º ano do Mestrado em Educação Visual e Tecnológica no Ensino Básico pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto.

Leciona Pintura, Desenho e Artes Plástica no seu atelier em Matosinhos desde 2008 e, paralelamente, tem desenvolvido o seu projeto artístico «Paisagens Forjada», nomeadamente nas áreas do desenho e da pintura. O desenvolvimento deste projeto exige uma investigação que se processa, por um lado, num plano teórico, que passa pelo estudo sobre a evolução do conceito de paisagem e da produção pictórica correspondente e, ainda, sobre a relação entre a produção contemporânea, ligada a este tema, e o entendimento e sentimento atual acerca daquele conceito, e, por outro lado, num plano que poder-se-ia designar como técnico, na medida em que também é objeto de estudo a associação dos diversos meios da pintura e do desenho entre si, a interação entre materiais considerados tradicionais e os de produção mais recente e a subversão dos modos de fazer.

Possui obras em coleções, como o Fundo Viana de Lima e a AMI, assim como obras em publicações, como «Ver, Fazer, Pensar, Editar – Projeto Atlas: gabinete de Gravura e Desenho da FBAUP.

Em 2016 foi-lhe atribuído o Prémio de Mérito Viana de Lima, O Prémio de Mérito da FBAUP e o Prémio Aquisição Penha d’Águia.

Alqueva, de Rita Catarino e Paulo Palma

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Inauguração 25 Fevereiro, 16h / até 23 de Abril

Alqueva de Rita Catarino e Paulo Palma

O Alqueva é a maior transformação do território Português num tão curto espaço de tempo. É exemplo maior da idade do Antropoceno em Portugal. São 250 km² de território ao longo do rio Guadiana submersos, que para além de constituírem uma profunda alteração na identidade da paisagem Alentejana, operaram um novo paradigma agrícola, apenas possível pela presençade água numa paisagem anteriormente árida.

Este trabalho, tem como intuito originário, revisitar um território que já não existe, que já não está visível, mas que pela herança que deixou e pela cultura que foi construtor, continuapresente na memória colectiva. As imagens e cartografia, apresentadas são apenas contributos que revêm e reavivam, trazem para a superfície uma realidade que é actualmente impossível de restituir. É um jogo entre a ausência física e invisível de um território e um novo olhar que apenas o tenta resgatar, ou retirar metaforicamente da submersão que lhe foi imposto.

A partir da realidade pré existente no momento da construção da barragem, das características físicas, ecológicas e culturais que afirmavam o território, este trabalho pretende ser uma reflexão sobre a importância da memória na construção da Paisagem. Que Paisagem existe depois do desaparecimento de um lugar?

BIOGRAFIAS:

RITA CATARINO (Serpa, 1984)

Arquiteta pela Faculdade de Arquitetura de Lisboa e Bauhaus Universitat em Weimar, tem também formação em Ilustração pela CIEAM da Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Em 2009 foi cofundadora da Oficina de Arquitetura Latitudes, com o objetivo pedagógico de levar a arquitetura às crianças. As oficinas passaram no Programa Nacional de Literacias e Literatura de 2013/14, nas várias edições do Arquiteturas Film Festival, na rede Municipal de Bibliotecas de Lisboa, vários museus e escolas primárias e básicas do país. Das oficinas resultaram revistas, livros e brinquedos arquitetónicos.

A primeira investigação resultou numa Exposição em 2015 no Museu da Luz (Aldeia da Luz, Portugal) e numa exposição integrada no Open House Roma no Complesso Ex Cartiera Latina em Roma e num Jornal em que participaram diversos artistas contemporâneos portugueses.

Paulo Palma (Serpa,1977)

Arquitecto Paisagista pelo Instituto Superior de agronomia e pela Universidade de Évora.

Nos últimos dez anos tem desenvolvido projectos de Arquitectura Paisagista nas diversas escalas de aproximação do território.

Tem desenvolvido também estudos artísticos de investigação relacionados com a transformação do território, a partir do cruzamento de áreas disciplinares distintas, com o objectivo de apreender e divulgar a diversidade da Paisagem. Entre estes destacam-se: “Paisagem Resgatada, crónica sobre o desaparecimento do território do Alqueva”; “O meu pais é o que o mar não quer, permanência e transformação da costa Portuguesa” e “Morfologia da Reforma Agrária, calendário gráfico 1975”.

Desde 2011 é docente convidado da licenciatura em Arquitectura Paisagista no Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.

Ciclo Biblioteca | My Pages Your Pages, de Priscilla Davanzo

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Inauguração e performance 28 Fevereiro, 16h / até 25 de Março

My Pages Your Pages, conjunto de trabalhos a serem apresentados em forma de instalação inspirados na pesquisa vivenciada pela artista na biblioteca Yehuda Safran no CAAA.

“introdução

imagine uma biblioteca como corpo, como uma pessoa. ela tem sua personalidade e seus trejeitos; suas coisas adoráveis e detestáveis. às vezes é preciso estar com ela, às vezes não. às vezes até se sente saudades. a sua solitária introspeção é um mistério. sempre. e esse mistério desafia que se o desvende. a artista se propõe a conquistar, encontrar, conhecer e se aproximar desse corpo, desse ser que apesar de não estar biologicamente vivo, pulsa vida por todos os lados. uma mistura de trabalho de campo e de contato social é utilizada para gerar a metodologia de abordagem. essa metodologia já vem sido utilizada nos últimos anos pela artista para se aproximar de cidades, rios, populações, edifícios e locais públicos. e agora a biblioteca yehuda safran está na sua meta. a biblioteca, residente no caaa – centro para estudos da arte e da arquitectura em guimarães, portugal, é fruto da coleção particular do filósofo e professor, aficionado por arquitectura, literatura, história e artes no geral. a coleção é um foco particular que demonstra as ideologias e experimentações que perpassaram a vida de yehuda safran.

descritivo

a instalação consiste de um conjunto de trabalhos artísticos que juntos criam um trabalho único, mas que podem ser apresentadas separadamente caso, ao tomarem vida própria, seja necessário. a instalação se apresenta como um álbum de fotografias de memórias conjuntas entre a artista e a coleção da biblioteca, perpassando em alguns momentos particularidades específicas do homenageado, yehuda safran, que em nenhum momento a artista chegou a encontrar ou comunicar, apesar de ainda estar vivo. cada setor, tem um foco particular, no entanto todos perpassam o conceito de afinidade entre a vida pessoal da artista e a suposta vida de yehuda safran, deduzida a partir da observação e decupagem da biblioteca pela artista. nesse padrão das afinidades, a artista parte de livros que ela tem em sua biblioteca – de alguma forma “perdida” no além mar – e que também estão presentes na coleção de yehuda safran.”

Cada Janela É Uma Paisagem Diferente, uma performance interactiva de Priscilla Davanzo

“A artista coloca na mostra a performance interativa que ja vem a desenvolver há algum tempo e dialoga com uma característica que ela própria tem com yehuda safran e, porque não?, sua biblioteca: a questão da diáspora, do estrangeirismo, da migração.”

apresentação dia 28 de fevereiro, das 16 as 20h.